Alto do Sertão do Pajeú: é agora ou nunca!

Precisaremos que as contribuições aconteçam e o mais breve possível. Venha fazer parte dessa rede de amigos voluntários. Clique aqui e saiba como contribuir...

Gerações fracas. É o que temos. E isto acontece em todo o mundo.

O enfraquecimento emocional e de rigidez de vontade é um fato pós-moderno. Os humanos ficaram com os dedos rápidos para os joguinhos, mas tornaram-se retardados quanto ao mais.

Primeiros socorros: como proceder

Saber prestar o primeiro atendimento a uma vítima tendo em mente alguns procedimentos simples podem diminuir o sofrimento, evitar complicações e até mesmo salvar vidas...

Chuva no Acre atinge 64 mil pessoas e situação deve piorar

Foram distribuídas 2,8 mil cestas de alimentos e 100 barracas pelo governo do estado

Assim como você, eles também possuem uma história!

A ação "RELIGANDO MORADORES DE RUA" nasceu com o objetivo de resgatar e ressocializar "sem tetos" da Baixada Santista por meio da mobilização de agentes voluntários, parcerias com empresas e/ou órgãos governamentais a fim de cadastrarmos, triarmos e encaminharmos os que realmente DESEJAM, à participarem de um programa de reabilitação pessoal e profissional. Leia mais...

Confira os postos de doações para os desabrigados em Cubatão - SP


Água, leite e roupas são prioridade no momento. Três locais na Baixada Santista arrecadam doações.


As fortes chuvas que atingiram a cidade de Cubatão (SP) deixaram 239 pessoas desabrigadas no município. Muitas casas foram destruídas por causa do temporal, e sete deslizamentos de terra foram registrados. A prefeitura do município pede ajuda da população para arrecadar doações para os moradores da cidade. Água, leite e roupas são prioridade no momento.

CONHEÇA ALGUNS POSTOS DE ARRECADAÇÃO:

Centro Esportivo 'Castelão': Rua Embaixador Pedro de Toledo, 365, Centro de Cubatão.

TV Tribuna: Avenida Antônio Emmerich, 1373, no Jardim Guassú, em São Vicente.

Universidade Santa Cecília (Unisanta): Rua Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão, Santos.

Equipe SOS Religar

RIO PILÕES TRANSBORDA E DEIXA VÁRIOS PONTOS ALAGADOS EM CUBATÃO - SÃO PAULO




A chuva que atinge as cidades da região desde a tarde desta sexta-feira (22) provocou sérios prejuízos ao município de Cubatão. De acordo com informações da Prefeitura, o Rio Pilões transbordou e há alagamentos por toda a Cidade, além de deslizamentos nas encostas da Serra do Mar. Uma moradora da Vila Nova afirma que a Vila Nova “está em estado de calamidade pública” e que a água no bairro já está acima da sua cintura.

LEIA AQUI



De acordo com dados atualizados, sabe-se que já somam 11 o número de mortos, podendo aumentar já que muitas pessoas estão desaparecidas.

Quem puder estar doando alimentos não perecíveis e roupas em bom estado, as doações poderão ser feitas à Prefeitura de Cubatão.

Mais informações: (13) 3364- 5177 - Falar com Paulo Kauã Maeves

Equipe SOS Religar

DIÁRIO DE BORDO: SANTA MARIA-RS | Por Margareth Labate




Os dados reais de quantas pessoas perderam suas vidas naquele dia, é uma incógnita, hoje dia 10 de fevereiro estima-se cerca de 240 mortes. Também ficaram hospitalizados cerca de 200 pessoas, decorrente da tragédia. Algumas pessoas já tiveram alta, outras continuam internadas.

A maior parte dos que foram hospitalizados foi devido a problemas respiratórios, causados pela inalação da fumaça tóxica.

Vários grupos de apoio se deslocaram de cidades vizinhas e também de outros estados para prestar assistência aos sobreviventes, familiares e profissionais, entre eles forças militares, bombeiros e área da saúde.

Eu, Margareth Labate, psicóloga, especialista em situações de emergência e crise e, mais 19 profissionais com a mesma capacitação, fazemos parte do Instituto Karunã, organização que presta atendimento gratuito às vítimas de eventos como estes, onde muitas pessoas e cidades são afetadas, nos deslocamos até Santa Maria, Rio Grande do Sul.

Chegamos em Porto Alegre por volta de 14 horas de quinta-feira, dia 31 de janeiro. Ainda no aeroporto, percebi a tristeza que rondava o lugar. Alugamos uma Van e um carro e partimos em direção à Santa Maria.

O dia estava ensolarado e fazia cerca de 35 graus, na beira da estrada, acampamentos indígenas marcavam a paisagem de um verde vibrante.

Uma parada para o almoço e uma faixa cobrindo a frente de uma casa dizia: “Luciana, sentiremos sua falta.”

De volta à estrada o sol escaldante anulava o ar condicionado nos forçando diversas vezes a abrir as janelas dos carros para refrescar o interior do automóvel.

Chegamos em Santa Maria por volta das 22 horas e fomos direto para o hotel, a cidade parecia vazia como se fosse uma madrugada de domingo.

Fizemos uma reunião para saber onde iríamos na manhã do dia seguinte, sexta-feira dia 1 de fevereiro. Distribuídos os lugares fiquei com o primeiro turno em um CAPS.

Primeiro dia de fevereiro.

Cheguei ao CAPS às seis horas da manhã, uma reunião para conhecermos os voluntários e saber o que já existia de estrutura para os atendimentos. O espaço para os atendimentos era acolhedor e a estrutura ainda estava sendo montada, o que é muito comum em situações de emergência e crise em lugares que nunca foram afetados.

Fomos bem recebidos pelos profissionais e também pelos moradores da cidade, e aos poucos fomos afinando a estrutura de atendimentos e encaminhamento de alguns casos que necessitavam de continuidade de atendimento.

Quem chegava era encaminhado para um dos psicólogos que os ouvia e determinava em qual circunstância aquela pessoa ou família se encontrava. Quando necessário eram feitos encaminhamentos para os médicos que lá estavam de plantão e no caso de continuidade as enfermeiras aplicavam as medicações.

O CAPS ficava de plantão 24 horas por dia e um rodízio de profissionais foi criado para preservar a saúde e o descanso de todos.

Vários rituais de homenagem e despedida foram criados na cidade, pelos parentes, amigos e por conhecidos das vítimas da tragédia. Esses rituais são de suma importância para elaboração da situação traumática que se apresentava desde então.

Segundo dia de fevereiro.

Era sábado, e o plantão do CAPS e também da Universidade Federal que estávamos fazendo já havia sido bem divulgado e muitas pessoas procuravam ajuda. Neste dia dobrei meu turno de atendimento, e minhas colegas que estavam na Universidade também trabalharam bem mais.

Éramos procurados não somente por vítimas sobreviventes, mas, também, por aqueles que haviam perdido seus entes queridos. Também era comum a procura por aqueles que não haviam acompanhado os amigos a festa daquela noite.

Profissionais que estavam trabalhando nos hospitais no dia da tragédia, como por exemplo cuidadores.

A cidade estava em pânico! E já era de se esperar. Depois de muitos atendimentos feitos e com a certeza de que conseguimos confortar mas também impedir que o trauma fosse instaurado em vários indivíduos, fui participar da vigília que se seguiu de uma missa.

Esta de colete laranja e mão na cabeça do senhor ao chão, sou eu.



Terceiro dia de fevereiro.

Ainda na madrugada, durante a vigília, ouvi algo de uma repórter que estava no local que me chamou muita atenção.

“Aqui tem muita gente, mas o que mais chama atenção, é o silêncio."

Pura verdade, um silêncio que gritava, e que era esmagador.

De repente um choro que ardia na alma, um senhor que havia perdido muitos amigos. Mais um som que quebrava o silêncio, uma garotinha que havia perdido a irmã, ela soluçava e chamava o nome da irmã.

Choramos todos...

Um luto sem fim, era o que parecia, a cada dia tínhamos a notícia de mais um ou mais uma que deixava seus entes, eles estavam nos hospitais.

Na manhã do domingo outra missa e a cidade vazia. Todos estavam onde havia uma homenagem, uma missa ou um protesto.

Santa Maria estava de...

No CAPS, muitos pais preocupados com os filhos que haviam sobrevivido, o medo de que algo acontecesse novamente pairava no ar.

A culpa também estava presente em muitas queixas clínicas, assim como a raiva. Todos sentimentos esperados no processo de luto.

Mas é isto, o luto é um processo e demora para acabar, principalmente para aqueles que ainda temem a morte de seus outros entes ou amigos.

Um esquema também para atender os cuidadores fazia parte da rede de atendimentos do CAPS, todos estavam atentos para minimizar a dor e as consequências desta tragédia.

Quarto dia de fevereiro, segunda-feira.

Na madrugada de segunda não haviam mais busca por atendimentos. Ainda havia procura durante o dia e a noite.

Termino este diário dizendo que muito foi feito, mas infelizmente não o suficiente. Não somos heróis! Mas demos o nosso melhor.

 Margareth Marietto Labate - Psicóloga de Emergência e Crise e, voluntária do Instituto Karunã. além de ser nossa amiga e recém voluntária à SOS Religar - Baixada Santista/SP

Equipe SOS Religar

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Notícias de SANTA MARIA - Por Margareth Labate


Queridos amigos, familiares e colegas de profissão.

Estou em Santa Maria trabalhando com afinco, assim como toda a equipe que está aqui. Muitas pessoas estão sendo atendidas, e tenho visto a melhora significativa de cada um.

A cidade é linda, as pessoas são amáveis e solidárias à todos. Mas o sofrimento ainda é devastador. A esperança de dias melhores nos acompanha.

Margareth Labate - Psicóloga especialista em Emergência e Crise

Voluntária do Instituto Karunã e SOS Religar - Baixada Santista/SP

04/02/2013

Equipe SOS Religar

O SERTÃO É NOSSA CAUSA! por Tato Egg


"Miséria é miséria em qualquer canto. Fracos, doentes, aflitos, carentes. Riquezas são diferentes. O Sol não causa mais espanto. Miséria é miséria em qualquer canto".

Nos poucos dias que passei com o Rômulo, cabra valente e de coração gigante (que permaneceu mais uma semana depois que voltei) no alto sertão do Pajeú, o que vimos foi o que se vê em tantos outros lugares: desigualdade.

Num dos lugares mais acolhedores que já visitei, de povo simpático e sorridente, vimos gente rica que tranca seu poço pra não dividir a água, obrigando o extremamente pobre a se arrebentar todo pra juntar um dinheiro, perfurar outro e dividir com toda a vizinhança. Vimos obras que beneficiariam milhares de famílias, paradas a décadas por conta da burocracia e corrupção. Vimos áreas - onde anos atrás os pequenos agricultores e criadores de gado cultivavam uma das únicas plantas forrageiras capazes de suportar as longas estiagens - vazias e improdutivas, por conta de uma praga que foi trazida, dizem os moradores, por um órgão do governo e acabou dizimando todas as plantações da região, condenado os pequenos rebanhos à denutrição e morte.





Nas casinhas mais simples, nas famílias mais maltratadas pela miséria, nos ofereciam o quase nada que tinham. Cajueiros que garantiam a renda de várias famílias, ano passado produziram quase nada e esse ano morreram. Quantos anos serão necessários para que os novos pés que serão plantados quando a chuva vier comecem a produzir?

"O sertanejo é meio burro", me disse seu João. "Quando vê os bicho morrendo a gente decide nunca mais criar nada por aqui. Mas aí cai uma chuvinha e a gente corre comprar umas vaquinha". É assim. Esperança... Barragens e rios completamente secos, gado morto, lavouras dizimadas e famílias sobrevivendo com R$ 280,00 por mês. Sim, duzentos e oitenta reais por mês para sustentar a família!!! O Pedro Petrônio, nosso guia por lá nos contou que naquela região, quem ganha salário mínimo anda de peito estufado, feliz da vida. "Salário mínimo aqui é status"!



Na cidade, quando explicávamos que a SOS Religar é uma agência de voluntários, basicamente um grupo de amigos sem vínculo com partido político, igreja ou empresas, ninguém entendia. "Como assim"? É assim, explicávamos de novo. O Fernando viu a necessidade, fez uma convocação e quem pode e quer, ajuda com o que tem e convoca outros para ajudar também. "Não estou entendendo. Isso está simples demais", ouvimos como resposta. O simples não cabe mais nas nossas cabeças complicadas e individualistas.

Furar um poço na região custa em média R$ 3.000,00. Fortuna incalculável para quem vive com trezentão, mixaria para muitos empresários e para muuuuita gente. Desigualdade...

Muita coisa pode ser feita, além de lamentar a seca e maldizer a morosidade e corrupção de quem não faz o que foi eleito pra fazer. Oficinas de capacitação, perfuração de poços, doação de material para irrigação, assistência médica, odontológica, jurídica, distribuição emergencial de alimento, promoção do encontro entre quem precisa receber e quem tem para fornecer. A rede de amigos está tecendo suas teias, como disse a Eveline. O sertão de Pernambuco agora é nosso, como disse o Fernando. "Ôxe, que bão que ocês vinheram", como nos disseram vários sertanejos. Não temos como fazer chover, nem como resolver definitivamente os problemas de ninguém, mas temos como ajudar muito. Podemos amenizar o sofrimento de muita gente.

A esperança agora é que muitos se únam! Está só começando!!!!

Enviado por Tato Egg,

Voluntário SOS Religar - Nordeste
01/12/2013

Equipe SOS Religar


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